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Qual é melhor? Pixel ou polígono?

1280 720 ED!

Amigos Apertadores! Estamos batendo na porta de 2017 e o avanço da qualidade gráfica dos jogos é algo impressionante não? Quando eu era criança achava o máximo jogar Adventure no Atari 2600. O herói era literalmente um quadrado amarelo na tela, e sua arma (supostamente uma espada) era uma seta apontando para a direita. Naquela época se eu visse um jogo como Skyrim rodando ia achar que era fruto de magia negra ou algo assim. Graficamente falando, hoje Skyrim já é considerado um jogo ultrapassado. Em um certo momento da história o visual dos jogos tomou um rumo em direção ao realismo e não parou mais. Mas como isso foi possível? E será que é de fato uma mudança para melhor?

Pixel, seu lindo!

Afinal o que vem a ser um pixel? No mundo dos jogos e de forma simplificada, um pixel é a menor unidade gráfica digital que pode ser representada em uma tela como um monitor de computador ou televisão, ou seja, é um pontinho na tela. Os consoles clássicos mais conhecidos como Nintendinho, Megadrive, Snes e NeoGeo (para citar alguns) geram seus gráficos usando pixels.

Polígono, seu ser multifacetado!

Um polígono é um recurso da computação gráfica utilizado para gerar imagens tridimensionais, o popular gráfico 3D. O primeiro Playstation, o N64, o Saturn (entre outros) já eram capazes de gerar gráficos poligonais nativamente.

Então qual a diferença?

Pixels ou polígonos geram gráficos de formas diferentes. Pense em um pixel como uma peça de Lego, para formar um objeto temos que juntar várias peças, e da mesma forma para criar um desenho juntamos vários pixels. Já com polígonos, pense em um bloco de argila. Para formar uma figura é preciso esculpir ou modelar, e depois de modelado aplicamos tinta ou texturas por cima.
Resumindo, com pixels você desenha, com polígonos você esculpe. Pixels são limitados por cores e resolução de tela. Polígonos idem, mas também dependem de um alto poder de processamento. Pixels geram gráficos bidimensionais, pense eixos x e y, mundos planos. Polígonos geram gráficos tridimensionais, pense eixos x,y e z, geram mundos com profundidade.

É possível criar mundos pseudo 3D com pixels também, jogos como Outrun, Space Harrier e Afterburner por exemplo usam um recurso de hardware chamado Sprite Scalling que simula gráficos 3D escalonando e posicionando as sprites em tempo real, dando ilusão de profundidade.

Pelo rumo do texto já está ficando claro que os polígonos oferecem muito mais possibilidades do que os pixels. E isso inevitavelmente acabou sendo refletido na indústria dos games, de forma que os pixels foram perdendo terreno até cair em desuso. Mas será que essa mudança foi para melhor? Minha resposta é “depende”.

Efeito colateral

O avanço da tecnologia fez mais do que modificar a capacidade gráfica dos consoles. Conforme o poder de processamento ia crescendo ia ficando claro que insistir nos gêneros tradicionais de jogos (plataforma, navinha, rpgs) não fazia muito sentido se o objetivo era evoluir. O 3D em tempo real abriu a possibilidade de trocar o papel do jogador de mero expectador para ver o mundo do seu ponto de vista. Isso fez surgir e popularizar os jogos em primeira e terceira pessoa e também colocou um grande ponto de interrogação no futuro de muitas produtoras consolidadas no mercado como Konami, Taito, Namco, Capcom entre muitas outras que tinham como carro chefe o modelo de jogos 2D. Mas estou aqui hoje para falar de gráficos.

Transição difícil

É comum ouvirmos a expressão “Esse jogo envelheceu mal…” quando o jogo em questão é de Playstation, N64 ou Sega Saturn. Em geral estamos nos referindo a gráficos horrendos. O começo dos jogos com gráficos 3D foi tosqueira pura. Na época impressionava porque ainda que primitiva, a liberdade de poder se mover livremente pelos cenários e controlar o campo de visão era algo recompensador. Mas os gráficos em si eram horríveis. Quadrados e triângulos pontiagudos, as vezes com alguma textura em baixíssima resolução por cima e era isso. Do meu ponto de vista todos os jogos dessa época fizeram uma troca, um downgrade visual brutal pela liberdade de movimento. Em alguns casos, essa troca valeu a pena e cito Metal Gear, Silent Hill e Mario 64 como bons exemplos. Esses são jogos que realmente conseguiram tirar vantagem das novas possibilidades.

Por outro lado, verdadeiros desastres sobram. Especialmente as franquias famosas na era 2D que tentaram virar 3D passaram por maus bocados. Exemplos?

Final Fight: Streetwise

Final Fight é uma franquia que virou referência por seu visual colorido, gráficos de babar e jogabilidade topo de linha. Teve várias sequencias e personagens icônicos. Verdadeiro clássico. Agora o que dizer de Final Fight: Streetwise? Parece que o objetivo foi remover tudo que o clássico tinha de bom e substituir por péssima jogabilidade, cores lavadas e diálogos ruins. Horrível.

Megaman X7

Verdadeiro show de horrores. A série Megaman é um clássico desde a era do Nintendinho. Uma fórmula tão certeira que a idéia de errar a mão em um Megaman parecia impossível. Mas só parecia, Megaman X7 é um desastre de proporções épicas. Câmeras bizarras, uma mistura de fases de plataforma 2D com 3D que não funciona, o jogo é lento e se arrasta. Tudo isso com todo o poder do Playstation 2.

Golden Axe: Beast Rider

Meu Deus do céu. Para que fazer isso? Nem sei o que dizer além de que é muito mais negócio jogar a versão do Megadrive.

C: The contra Adventure

É difícil de entender o que aconteceu. Um clássico que beira a perfeição transformado em um jogo sem pé nem cabeça e HORROROSO. Inferior em todos os sentidos a versão 8 bits.

Castlevania 64

Como justificar isso depois de jogar Castlevania Symphony of the Night? Uma obra prima de jogo, gráficos belíssimos. Uma verdadeira ofensa ao legado de Castlevania. Fora os bugs. Chega de falar de desgraça.

Mas afinal o que é melhor, pixel ou polígono?

Não tenho como negar minhas raízes retrogamer. Adoro um pixel bem serrilhado que corta o dedo. Acho jogar em 2D muito mais divertido e dinâmico. Gráficos em pixels bem feitos enchem meus olhos de alegria. Jogar jogos 2D é uma experiência completamente diferente de jogos 3D. Uma experiência melhor? Eu penso que sim. Minhas habilidades videogamísticas se encaixam melhor no estilo 2D.

Isso quer dizer que eu não gosto gráficos e jogos baseados em polígonos? De jeito nenhum. A qualidade visual do que temos a nossa disposição hoje em dia é algo surreal. Quando era criança nunca imaginei que teríamos jogos como a série Bioshock, Wolfenstein The New Order, Gears of War e Bayonetta. Jogos tão complexos, com visuais belíssimos que estão mais próximos de filmes do que qualquer outra coisa.

Felizmente em 2017 temos o melhor dos dois mundos ao nosso alcance. Existem jogos modernos com visual retro que são excepcionais, vou citar Axion Verge e Shovel Knight. Penso que certos gêneros de jogos se encaixam melhor em 2D e outros em 3D, e a lambança ocorre quando tentam forçar um estilo no outro. No fundo, acho que sempre vou preferir o pixel, mas não tenho como negar que o mundo é dos polígonos.

E aí amiego, qual a sua preferência, pixel ou polígono? Quero saber a sua opinião, então deixe seu comentário na caixinha abaixo. E se você curtiu essa matéria compartilhe nas suas redes sociais, o aperte-start.net está crescendo e sua ajuda faz toda diferença. Lembrando que toda quarta-feira tem matéria nova.